Nos últimos meses, uma polêmica sobre protetores solares ganhou destaque na Austrália e chamou a atenção de especialistas e consumidores no mundo todo. A controvérsia gira em torno de produtos vendidos como “protetores solares” sem fator de proteção solar (FPS), levantando debates sobre segurança, regulamentação e responsabilidade das empresas no setor cosmético.
A Austrália é um dos países com maior índice de câncer de pele no mundo. Por isso, a notícia de produtos sem FPS sendo comercializados como “protetores” levantou um alerta importante sobre o impacto que cosméticos mal rotulados ou pouco regulados podem causar à saúde pública.
O que está acontecendo na Austrália?
A polêmica começou quando órgãos reguladores australianos identificaram produtos rotulados como “protetores solares naturais” que, na prática, não ofereciam proteção adequada contra os raios UV. Muitos desses cosméticos não continham filtros solares reconhecidos e aprovados, apenas ingredientes como óleos vegetais ou minerais, que não são eficazes na prevenção de queimaduras solares ou no bloqueio da radiação ultravioleta.
Em resposta, a Therapeutic Goods Administration (TGA) — agência regulatória australiana — intensificou a fiscalização e alertou a população sobre os riscos do uso desses produtos, enfatizando que qualquer protetor solar deve ter um FPS mínimo de 15 para ser considerado eficaz.
Por que o FPS é tão importante?
O Fator de Proteção Solar (FPS) é um parâmetro que indica o nível de proteção de um produto contra a radiação UVB, principal responsável por queimaduras solares e por aumentar o risco de câncer de pele. Na prática, o FPS indica o tempo que sua pele pode ficar exposta ao sol antes de apresentar sinais como vermelhidão ou queimaduras. Quanto maior o FPS, maior a proteção teórica contra os raios UVB.
Sem FPS comprovado, não há como garantir proteção real, e o consumidor pode ter uma falsa sensação de segurança ao usar um produto ineficaz.
Regulamentação rigorosa: uma necessidade global
Na Austrália, os protetores solares são classificados como produtos terapêuticos e, por isso, devem passar por testes laboratoriais e registros obrigatórios. Situação semelhante ocorre no Brasil, onde a Anvisa exige comprovação científica da eficácia do FPS e da proteção contra raios UVA para que um cosmético seja comercializado como “protetor solar”.
A venda de produtos sem FPS, mas com marketing enganoso, levanta preocupações importantes:
- Risco aumentado de câncer de pele
- Queimaduras solares graves
- Falta de transparência com o consumidor
- Enfraquecimento da credibilidade da indústria cosmética
Essa discussão ressalta a importância de regulamentações sólidas e fiscalização eficiente, garantindo que apenas produtos seguros e eficazes cheguem ao mercado.
O que essa polêmica ensina ao mercado de cosméticos
Empresas do setor cosmético, tanto na Austrália quanto no Brasil, precisam ter clareza de que protetor solar é um produto de saúde pública, e não apenas estético. A falta de FPS ou a ausência de testes de eficácia não pode ser tratada com descuido.
Para manter a confiança do consumidor e cumprir a legislação:
✅ Realizar testes laboratoriais confiáveis para comprovar FPS
✅ Evitar alegações enganosas de proteção solar
✅ Garantir rotulagem clara e transparente
✅ Cumprir rigorosamente as normas regulatórias nacionais e internacionais
Cuidados para consumidores e empreendedores
Para consumidores:
• Sempre verifique se o produto possui FPS e registro em órgão regulador.
• Prefira marcas confiáveis com comprovação científica de eficácia.
• Reaplique o protetor solar conforme a orientação do rótulo.
Para empreendedores:
• Certifique-se de que os produtos desenvolvidos ou revendidos estejam em conformidade com as normas da Anvisa.
• Invista em testes laboratoriais e certificações adequadas.
• Comunicação transparente é essencial para proteger a marca e os clientes.
Conclusão: informação é proteção
A polêmica australiana reforça um alerta importante: sem FPS, não há proteção solar real. Protetores solares exigem comprovação científica e regulamentação rigorosa, pois estão diretamente ligados à prevenção do câncer de pele, uma das doenças mais comuns e evitáveis com medidas simples.
Se você trabalha no setor cosmético ou pretende empreender na área, compreender e seguir essas normas é fundamental para garantir segurança, credibilidade e responsabilidade com a saúde pública.
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Escrito por: Mariana Faggioni Freire, Gerente de Projetos