Drogas: O limite entre o prazer e a dependência

 

O dia 26 de junho foi intitulado pela ONU (Organização das Nações Unidas) como Dia Internacional de Combate às Drogas. Este dia nos leva a pensar em uma problemática que está a cada dia mais presente na realidade da sociedade brasileira. No mundo inteiro, o uso de drogas vem sendo um grande problema. Não só no que diz respeito à saúde pública, mas também um problema de cunho social. Pesquisas apontam que cerca de 5% da população mundial, entre 15 e 64 anos, é usuária de drogas ilícitas. E mais ou menos 27 milhões destes são usuários que consomem as drogas regularmente e possuem um alto grau de dependência química.

 

Mas por que elas viciam tanto?

 

Atualmente já se sabe que as drogas, seja cocaína, a maconha, ou até mesmo, o álcool possuem a capacidade de viciar seus usuários. Isso acontece pois atuam rapidamente em um local onde há o sistema de recompensa  do cérebro. Esta região está intimamente envolvida com a produção dos efeitos de humor e sensação de felicidade. Em nós, seres humanos, e também, em outros mamíferos, este sistema é o responsável por nos dar sensações de prazer quando alcançamos algo que nos agrada, como comer chocolate, ganhar dinheiro, fazer compras, momentos de lazer com família e amigos, entre outros. Desta maneira, podemos dizer que o cérebro busca sempre nos “proteger” de qualquer dor, e por outro lado, busca coisas que nos oferecem efeitos de prazer.

Esse sistema compensatório tem como seu principal agente a dopamina, que é o neurotransmissor que será liberado para enviar a sensação de prazer para o cérebro. Ou seja, é a dopamina que passa a mensagem dizendo que tal atividade é boa e que vale a pena a ser executada e vivida. Este sistema é crucial para a manutenção da vida. Afinal, sem ele, não iríamos nos sentir estimulados a fazer absolutamente nada, nem mesmo ações básicas como buscar alimento e procriar, por exemplo.

 

Mas onde as drogas entram nessa história toda?

 

Quando há ingestão de entorpecentes, como a cocaína e a heroína, há um acúmulo de dopamina entre os neurônios. Desta forma, aumenta consideravelmente a disponibilidade da mesma, aumentando a sensação de prazer. A consequência disso é que a busca por drogas acaba sendo mais prazerosa do que a busca pelas necessidades naturais.

Com o passar do tempo, os neurônios acabam se acostumando a toda aquela dopamina presente, fazendo que seja necessário um consumo com doses cada vez maiores da droga para continuar obtendo o mesmo nível de prazer.

Além do desejo insaciável pela droga, o dependente químico tende a sofrer outros malefícios do vício, como a perda da capacidade de analisar as consequências de suas próprias decisões. Com isso, uma pessoa usuária de entorpecentes dificilmente vai tomar decisões que sejam boas para seu bem estar sozinha, incluindo a própria decisão de largar as drogas. Assim, a presença de um tratamento adequado e da família e amigos, torna-se crucial para a sua recuperação.

 

Escrito por:

Letícia Fraga - Gerente de Projetos